"O que todo o Cidadão precisa saber sobre o Comunismo" (José Paulo Netto)

15/04/2013 03:35

Pois bem. Logo na apresentação do livro, que é uma parte que quase ninguém lê, o autor já assume que "comunismo" é uma palavra que assusta, e explica os motivos:

"A ela [a palavra], absurdamente, se associam noções como 'subversão', 'violência', e também 'ideologias exóticas', 'idéias de Moscou', 'cortina de ferro'. Não é convidativo ser comunista no Brasil: as pessoas freqüentemente imaginam os comunistas como seres 'diferentes', que levam uma vida que não convém aos homens e mulheres 'normais' - vida que, em países como o nosso, quase sempre tem algo a ver com perseguições e discriminações".

 

E aí, ele já emenda:

"Mas, ao mesmo tempo", as pessoas que se amedrontam com a palavra comunismo são assaltadas por muitas dúvidas, motivadas por fatos que elas próprias observam. Por exemplo: os maiores inimigos do comunismo são, coincidentemente, os representantes de regimes políticos os mais cruéis - os chefes da racista África do Sul, os ditadores Pinochet e Stroessner, os generais argentinos e uruguaios que assassinaram tantos patriotas, herdeiros do nazifascismo de Hitler e Mussolini, que incendiaram o mundo exatamente em nome do anticomunismo.".

 

Como se pode ver, trata-se de um livro escrito por um velho comunista - portanto totalmente parcial - no ano de 1986 - o que justifica o escrito acima exposto. O autor tem formação em Serviço Social e Letras, com mestrado em Literatura (Teoria Literária) e doutorado em Serviço Social, sendo um dos "papas" na produção de conhecimento desta profissão no Brasil. No entanto, ele também ataca nas ciências sociais, ciências políticas, e até mesmo comportamento político (como é o caso deste livro).

Trata-se de um livro pequeno, fininho, de pouco mais de 70 páginas, adicionando-se mais outras 22 pastas de textos de referência de Karl Marx, Friedrich Engels, Henri Lefebvre, e um texto de 1984 do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Coisa para iniciante mesmo, mas não chega a ser manualesco, "nível mobral". Apesar de pequeno, os capítulos são bem articulados entre si e são muito bem escritos, contemplando do humilde ao erudito.

O leitor estará no direito de não concordar com o posicionamento do autor, e até mesmo ter muitas resistências ao conteúdo. Entretanto, não acho muito difícil que alguns paradigmas sejam quebrados, mesmo na mente do leitor mais neoliberal, ou até no caso do leitor sem orientação política mas que tenha uma compreensão bem estigmatizada acerca do comunismo.


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