Minha exoneração deu no que falar

06/05/2014 18:22

Centenas de e-mails, cerca de 12 mil curtidas só no Facebook, e colegas que sequer são meus amigos no Facebook me parando e falando da fatídica postagem "Por que me exonerei de meu cargo efetivo de Professor da Educação Básica II do Estado de São Paulo depois de somente 3 semanas"... Não só blogueiros, mas também diversos sites com mais musculatura e acesso me replicaram... E, por fim, o limite de tráfego mensal deste humilde FelipeQueiroz.net estourou.

Isto só mostra uma coisa:

- o professorado está indignado com suas condições de trabalho;

- a população como um todo está possessa com a educação formal como um todo, pois esta não funciona na maioria das vezes, e quando funciona é totalmente utilitarista e não emancipadora;

- cada vez menos jovens desejam ser professores. E muitos dos mais velhos estão atuando na base de idealismo, pastilha para garganta e remédio tarja preta.

 

É flagrante o desmonte do ensino público em todo o Brasil nas variadas redes. Na rede federal - quer no ensino universitário, quer no ensino básico, técnico e tecnológico - a expansão desenfreada e sem critério para criar números e facilitar o eleitoreirismo já dá sinais de falência. Dados dos sindicatos como a ANDES-SN, a FASUBRA, e o SINASEFE explicitam muito bem esta realidade. Já na rede estadual paulista o desmonte e a precarização conseguem ser maiores, atingindo até mesmo as Escolas Técnicas e as Faculdades de Tecnologia (estas outrora de excelência), mas demonstram o caráter abissal no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Cabe dizer que este desmonte é oportunista e deliberado, não se trata de algo que aconteceu "naturalmente" como o a água que corre no curso de um rio.

O futuro que se desenha, é o seguinte: dá-lhe acordo MEC-USAID na nossa juventude, tome desculpas do tipo "o setor público não faz nada direito, tem que terceirizar e privatizar!", tome mais educação tecnicista e utilitária (o que não é ruim em si, pela existência, mas sim haver SÓ isso), mais precarização, etc. E como mudamos isto? Simples: lutando, lutando e lutando. Quem atua na educação deve saber que esta tem um papel importante na transformação social, e esta compreensão por si só já é importantíssima. Depois, caso consigamos canalizar a indignação das crianças e adolescentes contra as mais diversas injustiças, aí sim tiramos algum caldo. O problema é quando as condições objetivas são tão ruins que desgostam até mesmo os professores mais 'idealistas'. Muitos professores, desiludidos, têm migrado para outras carreiras e a educação perde com isto.

Alguns relativamente poucos (considerando os milhares que leram o texto) chegaram a me dizer que minha saída foi equivocadamente prematura, e outros foram mais longe e disseram que sou interesseiro por dinheiro ou que a coisa não está tão ruim assim. Posto, então, um vídeo mandado para mim por e-mail sobre os colegas que dão aula nos colégios do Estado de São Paulo sem serem concursados (eles são uns 40% do corpo docente, salvo engano), para vocês verem mais ainda como é a política de educação em que estamos, e o que os jovens professores sofrem:

 

Espero, sinceramente, que tudo melhore. E, como diz o Humberto Gessinger nos vocais dos Engenheiros do Hawaii: "Não vemos graça nas gracinhas da TV, morremos de rir no horário eleitoral", né Sr. Governador?


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